👉

Do "pau de arara" ao planejamento do território: a trajetória de Clóvis Avelino e o reencontro dos Anos de Doutorado

Às vésperas do Encontro dos Anos de Doutorado, a Revista TOARA abre espaço para uma história que sintetiza o espírito do evento: trajetórias forjadas no chão do interior, atravessadas pela educação, pela política pública e pelo compromisso com o território amazônico. A história de Clóvis Avelino Ribeiro é uma dessas rotas que ajudam a compreender por que este reencontro é mais do que uma celebração acadêmica — é um gesto de memória viva.

Natural do extremo sul da Bahia, nascido em 10 de junho de 1965, no distrito de Cachoeira do Mato, Clóvis é primogênito de uma família de seis irmãos. Filho de Laurentino Avelino Ribeiro e Amerita Avelino Ribeiro, viveu a infância na zona rural, onde foi alfabetizado em uma pequena escola comunitária. Ali, sob a rigidez dos métodos da época, começou a entender que a educação seria o fio condutor de sua vida.

A mudança decisiva veio em 1980. Em uma viagem longa, sofrida e simbólica — feita em um caminhão "pau de arara", junto com outras duas famílias e seus poucos pertences — Clóvis chegou ao Pará. O destino: Abel Figueiredo, ainda em processo de consolidação como cidade. Era 2 de fevereiro de 1980 quando aquela família desembarcou e iniciou uma história que se confunde com a própria formação do município.

Em Abel, Clóvis viveu três anos marcantes. Estudou na Escola Hélio Frota Lima, construiu amizades duradouras, descobriu a convivência comunitária, a igreja, o futebol de chão batido ao lado da matriz, os clubes populares, o trabalho de fim de semana no açougue e a juventude vivida intensamente entre responsabilidades e travessuras. Foi também ali que participou da crisma, orientado pela irmã Miguela — experiência que despertou sua vocação inicial para o seminário.

Em 1983, deixou Abel para seguir novos caminhos em Marabá. Passou pelo seminário, pelo mundo do trabalho bancário, pela sala de aula da rede pública e, pouco depois, pela universidade. Ingressou no curso de Ciências Sociais no campus da UFPA em Marabá, tornando-se bacharel e licenciado em Sociologia. Essa formação não apenas fundamentou sua atuação política, como deu base técnica para uma trajetória consistente no campo do planejamento e da gestão pública.

A vida adulta de Clóvis se espalha pelo sudeste do Pará: Nova Ipixuna, onde foi vereador por dois mandatos, presidente da Câmara, secretário municipal de Saúde e candidato a prefeito; Marabá, Parauapebas, Eldorado dos Carajás, Canaã dos Carajás e Pau D'Arco. Em cada lugar, a sociologia aplicada ao território: planos de saneamento básico, resíduos sólidos, mobilidade urbana, meio ambiente, habitação e desenvolvimento local. Mais recentemente, contribuiu com planos em Bom Jesus do Tocantins, município vizinho a Abel Figueiredo, fechando simbolicamente um ciclo iniciado décadas atrás.

Ao revisitar essa trajetória, às vésperas do Encontro dos Anos de Doutorado, a fala de Clóvis revela algo maior que uma biografia individual. Ela traduz o percurso de uma geração que saiu das escolas públicas do interior, atravessou universidades em consolidação e hoje devolve ao território conhecimento técnico, compromisso político e sensibilidade social.

O reencontro que se anuncia não é apenas entre colegas de formação. É o reencontro entre memória, ciência e pertencimento. É a confirmação de que a educação — vivida em Abel Figueiredo, Marabá, Belém e tantos outros lugares — segue produzindo frutos concretos na vida dos municípios amazônicos.

Quando os Anos Doutorado se encontrarem, não será apenas para lembrar o passado, mas para reafirmar que cada rota pessoal, como a de Clóvis Avelino Ribeiro, ajuda a desenhar o mapa coletivo do futuro.

 texto: Robson Messias
23 de Janeiro  – Abel Figueiredo (PA) - Revista TOARA


ENCANTO DOS ANOS DOURADOS: QUANDO O TEMPO PARA, A MEMÓRIA ABRAÇA E ABEL FIGUEIREDO CELEBRA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA

Por Robson Messias

Há momentos em que o tempo decide desacelerar. Em que a memória ganha corpo, cheiro, voz e abraço. E é exatamente isso que está prestes a acontecer em Abel Figueiredo.

Faltam apenas cinco dias para o tão aguardado Encontro dos Anos Dourados, e o sentimento que toma conta da cidade é de expectativa, emoção e pertencimento. O que começou como uma conversa entre amigos, como um desejo guardado no peito, hoje se transforma em um grande acontecimento histórico, afetivo e profundamente humano. O Encanto dos Anos Dourados está superando todas as expectativas.

No próximo sábado, dia 24 de janeiro, Abel Figueiredo será palco de um reencontro que vai muito além de datas e lembranças. Será um encontro de vidas que se cruzaram nas décadas de 1970, 1980 e 1990, de pessoas que aqui viveram, cresceram, sonharam, trabalharam, amaram — e que agora retornam, vindas de vários lugares, para reviver aquilo que jamais se perdeu: o laço da amizade e da memória.

A Fazenda América, bela, acolhedora e carregada de simbolismo, abre suas porteiras para receber esse grupo de amigos que o tempo separou fisicamente, mas nunca espiritualmente. A partir do meio-dia, o espaço se tornará um verdadeiro território da saudade viva — onde cada sorriso será uma lembrança e cada abraço, um reencontro com o passado.

Será o dia de perguntar: "E você, como está? Por onde andou? Onde o mundo te levou?"
Mas também será o dia de afirmar: "Ainda estamos aqui. Ainda somos os mesmos."

Histórias vão ecoar pelos cantos da fazenda. Serão lembrados os apelidos, as brincadeiras de roda, os jogos de futebol no 7 de Setembro, os desfiles escolares que marcaram gerações, nas escolas Helio Frota Lima, ALacid Nunes, os professores que deixaram marcas profundas e inesquecíveis. Cada lembrança será uma ponte entre o ontem e o hoje.

O Encontro dos Anos Dourados não é apenas uma confraternização — é um ato de memória coletiva, um gesto de respeito à própria trajetória de Abel Figueiredo. É o reconhecimento de que a história da cidade não está apenas nos livros, mas nas pessoas que a construíram com suas mãos, seus passos e seus sonhos.

Para isso, uma grande festa está sendo preparada. Uma celebração à altura da emoção que se anuncia. Música, conversa boa, risadas soltas, olhares marejados e aquela sensação rara de que o tempo, por algumas horas, resolveu fazer uma pausa para nos ouvir.

Abel Figueiredo não apenas receberá seus filhos e amigos de outrora — abraçará sua própria memória.
E quem estiver presente nesse sábado não estará apenas participando de um evento, mas vivendo um capítulo inesquecível da história afetiva da cidade.

Os Anos Dourados não passaram.
Eles apenas esperaram o momento certo para brilhar novamente.

— Revista TOARA
Onde a memória vira narrativa e o encontro vira história.

LUIZ VIEIRA o Luizinho -  MEMÓRIAS AMAZÔNICAS ENTRE VILA 92, MADEIRA, EDUCAÇÃO E PALAVRAS

26/11/2025 - Por Robson Messias Lucas   

Revista TOARA – Narrativas Amazônicas

01

A Amazônia guarda homens cuja história nasce na poeira quente da migração, cresce no som das marcenarias e floresce na força da palavra. Entre eles, está Luiz Vieira — professor, escritor, filho de trabalhadores da terra e da madeira, moldado pelas travessias da Vila 92, pelas madrugadas do Clube Sayonara e pelo silêncio atento de quem sempre observou o mundo antes de escrevê-lo.

02

Sua trajetória, que atravessa roça, estudo, cultura e resistência, faz dele uma das vozes mais emblemáticas da memória amazônica contemporânea.
E é por isso que esta entrevista era tão esperada: porque ouvir Luiz Vieira é ouvir a Amazônia — por dentro, por lembrança e por destino.

03

1 - Revista TOARA - Infância Amazônica & Identidade, Luiz sua narrativa revela uma infância marcada pela migração nordestina, pela luta de seus pais, pela merenda quente na caneca de alumínio e pelas primeiras escolas que moldaram seu caráter. Como essa infância amazônica moldou o homem que você é hoje – professor, escritor e servidor público?

04

R - Luiz Vieira - Cheguei a Abel Figueiredo em 1973, ainda pequeno, trazendo comigo apenas cinco anos de vida e toda a coragem dos meus pais, migrantes baianos empurrados pelas promessas da ditadura de que a Amazônia era "uma terra sem homens para homens sem terra". Foi nesse chamado — transmitido pela Rádio Nacional — que meu pai apostou o destino da família.

Ao chegar àquela vila abraçada por rios e abundância de água, ele viu mais que terra: viu futuro. E quando encontrou o Grupo Escolar Alacid Nunes, sentiu que ali poderia plantar dignidade para os oito filhos.

05

Minhas memórias escolares têm cheiro de merenda quente servida em caneco de alumínio sem alça, queimando dedos e boca, mas alimentando sonhos. Eu era o menor da turma, um menino que chamava atenção por saber ler e recitar tabuada "de có e salteado", como dizia dona Cota.

Depois vieram os anos na Hélio Frota Lima, professores brilhantes, disciplina, livros, e uma comunidade que, mesmo simples, carregava a grandeza amazônica no jeito de ensinar.

06

Toda essa travessia — migração, pobreza, estudo, coragem — moldou meu caráter. E quando precisei sair aos 15 anos para estudar em Marabá, enfrentei o mundo sozinho, mas fortalecido pelas raízes que a Amazônia tinha plantado em mim.

07

2. Revista TOARA -  A Experiência da Família Vieira - A história da macenaria Irmãos Vieira e do Clube Sayonara é quase um patrimônio afetivo de Abel Figueiredo. Como essas vivências familiares — do trabalho coletivo às noites de bailes — contribuíram para sua visão de comunidade e pertencimento?

R - Luiz Vieira - Meus irmãos aprenderam o ofício da madeira com um velho mestre, e quando o trabalho deixou de oferecer dignidade, abriram a própria marcenaria — um gesto típico de quem cresce nos desafios amazônicos: reinventar-se.

08

O Clube Sayonara foi mais que um salão de festas — foi o coração cultural de Abel. Um espaço onde bailes, carnavais, teatro, calouros e até números circenses faziam o povo sonhar. Eu, menino ainda, lavava chão, servia mesas e mais tarde fui responsável pelo som, o "sonoplasta" da época. As vozes ecoando no alto-falante pendurado no poste eram o rádio vivo da cidade. O Sayonara moldou meu gosto musical, meu senso de comunidade e minha vontade de servir. E me orgulho de dizer: a casa onde moro hoje nasceu de parte do dinheiro recebido quando o clube foi vendido.

É como se minhas paredes ainda guardassem ecos daquele tempo.

3 - Revista TOARA -   Educação como Travessia - Você descreve com emoção os professores que o marcaram e a importância de ter saído cedo para estudar. Como essa travessia educacional transformou sua trajetória e que mensagem você deixa para os jovens amazônidas que sonham com o ensino superior?

09

R - Luiz Vieira - Meus pais, mesmo sem estudo formal, sempre souberam que a educação seria a nossa canoa para atravessar os rios difíceis da vida. O incentivo deles — e o exemplo de dona Cota, que mesmo mal sabendo escrever me ensinou a ler ainda no colo — foi determinante.

A leitura se tornou meu vício. Eu devorava livros na pequena biblioteca municipal próxima à casa dos padres. Foi ali que meu mundo se expandiu.

Quando minha família fez o sacrifício de me enviar para estudar fora, eles abriram para mim um horizonte que nem imaginavam existir. Isso me levou à faculdade, ao magistério, ao mundo.

10

Por isso digo aos jovens amazônidas: não desistam. O estudo transforma. A universidade é divisor de águas — especialmente para quem vem da periferia, da roça, das margens dos rios.
Se a vida foi dura com você, seja luz para seus filhos. O conhecimento é a maior arma contra qualquer sistema que queira nos manter pequenos.

4 - Revista TOARA - A Palavra Escrita & o Chamado da Literatura - Você já publicou dois livros — O Escorpião e a Borboleta e O Caminho das Estrelas. Em que momento você percebeu que a escrita também fazia parte do seu destino? E como sua vivência amazônica se reflete nessas obras?

11

R - Luiz Vieira -  Desde menino eu era fascinado pela escrita. Lembro de copiar, palavra por palavra, todo o livro Contos de Grimm para poder relê-lo quando quisesse — talvez meu primeiro gesto de escritor sem saber.

No ensino médio, minhas redações viravam contos e crônicas. Só anos depois, ao percorrer o Caminho de Santiago e escrever meu diário no blog, percebi que havia ali literatura. O retorno dos amigos me mostrou que aquelas vivências poderiam virar livro.

12

Assim nasceu O Escorpião e a Borboleta e, depois, O Caminho das Estrelas.
Mesmo quando não falo sobre a Amazônia diretamente, ela aparece — no vocabulário, no ritmo da frase, no cheiro da memória.
Carrego a Amazônia até quando não escrevo sobre ela.

13

5. Revista TOARA - Psicologia aos 57 Anos - Iniciar um novo curso aos 57 anos é um ato de coragem e reinvenção. O que te motivou a escolher a psicologia e como essa formação se conecta com sua trajetória de vida e com os desafios da Amazônia contemporânea?

R - Luiz Vieira - Alguns acharam loucura recomeçar aos 57 anos. Mas eu precisava de vento novo. A psicologia entrou primeiro como curiosidade e virou paixão. Fui "capturado", como digo.

14

Estudar outra vez me rejuvenesce. Na sala de aula me sinto adolescente: curioso, inquieto, vivo.
E vejo essa nova formação como forma de contribuir com minha gente. A Amazônia enfrenta hoje desafios graves de saúde mental — ansiedade, depressão, solidão.
Minha experiência de vida se torna ferramenta.      Não existe idade para renascer.

6. Revista TOARA - O Grande Encontro – 24 de Janeiro de 2026 - Para o Grande Encontro dos Anos Dourados, marcado para 24 de janeiro de 2026, o que você espera reencontrar — em termos de memória, afeto, identidade e futuro — quando olhar para sua própria história e para as pessoas que cruzaram o seu caminho?

15

R - Luiz Vieira - Estou ansioso para reencontrar amigos e memórias. O I Encontro dos Anos Dourados será mais que uma festa — será um mergulho na história viva da nossa geração.

Voltaremos diferentes, é verdade. O tempo nos transformou. Mas será bonito ver como cada um de nós traçou seu caminho — seja ficando na terra natal, seja partindo para outras cidades.

16

Quero ouvir histórias, rir das antigas brigas, relembrar músicas, reconhecer rostos já mudados pelo tempo. E quem sabe, desse encontro, nascer o livro que desejo escrever:
as anedotas, os casos e os encantos de Abel Figueiredo.

17

Que venha o grande reencontro.       A memória também é um território da Amazônia.

01 - luiz VieVieira, com seus dois livros, O Escorpião e a Borboleta.

02 - 7 de setembro no Hélio Frota.

03 - Hobby Ler, cozinhar e viajar.

04 - Casa da nossa fsfamília, atrás estava o Club Sayonara.

05 - Primeira Comunhão - Luiz é o menor.

06 - Grupo Escolar Alacid da Silva Nunes.

07 - O famoso Tony Reis ao meu lado.

08 - Os filhos homens mais velho e mais novo de seu Terêncio.

09 - Cozinhando para o capitão Terêncio Americano Vieira.

10 - Cozinhando para a rainha Dona Cota.

11 - O hábito da leitura moldou minha vida desde a infância.

12 - Dom Pedro no desfile do Hélio Frota.

13 - Dom Pedro no desfile do Hélio Frota.

14 - No Caminho de Santiago de Compostela. 720 km a pé - aventura que virou livro O Caminho das Estrelas.

15 - Os irmãos e irmãs Vieira .

16 - Negão Messias, Celino, George, Luizinho e Zé Orlando

17 - Casamento caipira no Kintal Sayonara. Eu era o padre


🌺 Vivências e Memórias Amazônicas: Entrevista com a Professora Nira Pinto

Por Revista TOARA

Nas trilhas da memória e da afetividade amazônica, a Revista TOARA abre espaço para uma conversa calorosa com a professora e pesquisadora Nira Pinto, mulher de alma inquieta e coração abelense, que cruzou o país, deixando o Espírito Santo para firmar raízes na terra vermelha e acolhedora de Abel Figueiredo, no sudeste do Pará.

Entre lembranças de escola, amizades que atravessaram o tempo e o despertar político e humano vivido no grupo de jovens da Igreja Católica, Nira nos conduz a uma verdadeira viagem no tempo — àquela Abel de chão batido e sonhos grandes, onde a educação, a fé e a arte se encontravam sob o mesmo céu amazônico.

Da direita pra esquerda : Dim, ao fundo eu, no centro Rita, Vilmar e Gildásio Leite, atrás de Gil, Beta e ao lado dela Carminha - aqui estávamos indo dançar quadrilha na festa junina da igreja - 1978

Ao falar dos espaços que marcaram uma geração — o cinema do "véi Geraldo", o bar do Zé e, sobretudo, o lendário Clube Sayonara — a professora recorda um tempo de brilho e alegria, embalado pelas festas e sons que ecoavam dos alto-falantes erguidos a mais de vinte metros, anunciando os matinês e os carnavais que agitavam toda a cidade. E é nesse cenário que surge a lembrança de Tony Reis, o inesquecível Tonho da Sayonara — figura artística, músico, irreverente e apaixonado pela vida. Um ícone que marcou os anos 70 e 80 com sua energia vibrante e seu amor pelo carnaval e pela cultura popular.

Com o mesmo carinho com que fala de Tony, Nira também revela o quanto Abel Figueiredo moldou sua essência: a educadora, a militante, a mulher amazônica que hoje inspira novas gerações, levando nas palavras e nas ações o espírito solidário e sonhador de seu povo.

1️⃣ REVISTA TOARA - Professora Nira, como foi para a adolescente Osnera deixar o interior do Espírito Santo e se deparar com um novo mundo em Abel Figueiredo?

R: NIRA PINTO - Foi como nascer de novo, em outro chão, sob outro céu. Tudo era novidade — o cheiro da terra molhada, os sons diferentes, o ritmo das pessoas, o calor que abraçava. No começo havia um estranhamento, mas era um espanto bom, desses que fazem a gente crescer. Aos poucos fui me encontrando, me encantando e me enraizando. Hoje digo com o coração: minhas raízes não estão em outro lugar. Elas estão fincadas aqui, nesse pedaço de Amazônia chamado Abel Figueiredo.

2️⃣ REVISTA TOARA - Que lembranças mais vivas a senhora guarda da escola Alacid Nunes e dos primeiros amigos feitos em Abel?

R: NIRA PINTO - Ah, o Alacid Nunes! Era um mundo inteiro dentro de um pátio de escola. Minha primeira amiga foi Deusa, filha de seu Antônio Libério — éramos inseparáveis, duas andorinhas descobrindo o mesmo céu. A turma era cheia de vida: Dorleny, as filhas de Esmeraldo Caçador, Carminha e tantos outros nomes que o tempo leva, mas o coração guarda.

Lembro das professoras e professores com carinho: Tereza Schimidt, Antônio, o diretor Vilson (nosso "Mutuquinha"), Fátima Cerqueira, Luzia Ataíde… todos deixaram marcas profundas. Na escola, aprendi mais que as lições dos livros — aprendi o valor da amizade, da coletividade, dos jogos de queimada, da amarelinha e até da cabra-cega. Cada brincadeira era uma aula de vida. Era ali que a gente aprendia a dar a vez, a respeitar o outro e a caminhar junto. A escola foi uma enxurrada de aprendizados e afetos.

3️⃣ REVISTA TOARA - O grupo de jovens da Igreja Católica parece ter marcado muito sua vida. Que papel ele teve na formação da mulher e da professora que a senhora se tornou?

R: NIRA PINTO - O grupo de jovens foi o meu primeiro despertar para o mundo — e para o outro. Éramos 86 jovens cheios de sonhos, reunidos em torno da fé e da vontade de transformar. As formações em Bom Jesus do Tocantins nos moldaram como seres humanos.

Foi ali que aprendi que amar a Deus é também amar o irmão, sem julgar, sem medir. Foi ali que a militância nasceu em mim, e com ela a mulher que acredita na força da educação e da empatia. Aquelas vivências moldaram meu caráter, minha identidade política e o amor pelo coletivo. Foi o grupo que me fez compreender que fé e ação caminham juntas — e que o amor é o maior ensinamento que se pode viver.

Desfile de 7 de setembro - 1976

4️⃣ REVISTA TOARA - A senhora cita com muito carinho lugares como a Sayonara, o cinema do "véi Geraldo" e o bar do Zé. Que importância tinham esses espaços na convivência da juventude de Abel?

R: NIRA PINTO - Esses lugares eram o coração pulsante da nossa juventude! 🌟
O cinema do "véi Geraldo" foi onde vi o primeiro filme da vida. Era mágico! Muitos de nós nem televisão tínhamos visto, e aquela tela iluminada parecia abrir uma janela para o mundo.
O bar do Zé era ponto de encontro, cheio de risadas, violas e conversas.
E o Clube Sayonara... ah, o Sayonara era pura festa, música e emoção! Lá o som subia dos alto-falantes que ficavam a mais de vinte metros de altura, anunciando os bailes e matinês que movimentavam a cidade. A juventude se encontrava ali com leveza, amizade e alegria. Eram tempos de brilho, de inocência e de encantamento.

5️⃣ REVISTA TOARA - Quando a senhora se lembra do "Tonho da Sayonara", o Tony Reis, o que vem primeiro à cabeça: as brigas, as reconciliações ou as boas risadas?

R:  NIRA PINTO - Tudo isso junto — porque com Tony a vida era intensidade. Brigávamos, ríamos, fazíamos as pazes e recomeçávamos. Ele tinha esse dom raro de transformar qualquer tristeza em alegria.
Tony era carismático, divertido, e tinha uma energia que contagiava todo mundo. Foi por isso que, depois de nove anos de histórias, decidimos casar. A vida nos presenteou com duas filhas lindas, e ele partiu cedo demais… mas o brilho dele continua, ecoando como o som do Sayonara nas tardes de domingo. 🌻

6️⃣ REVISTA TOARA - Depois de tantas conquistas — graduação, mestrado, doutorado — o que Abel Figueiredo ainda representa para a professora Nira Pinto?

R: NIRA PINTO - Abel é o começo de tudo. Foi aqui que descobri o mundo e me descobri nele. Tudo o que vivi depois — os estudos, os livros, a carreira — tem raiz nessa terra que me acolheu.
Quando escrevo, sempre volto às histórias e às pessoas que moldaram meu olhar amazônico.
Abel me ensinou que o humano nasce do amor, e que é esse amor que me move até hoje. Essa cidade é mais do que lembrança — é parte viva da minha identidade, do meu chão e do meu coração. 🌿

Entre o calor, o riso e o som dos capelães:

" memórias de Nira Pinto, a menina que chegou em Abel de pau-de-arara"

Em meio às tardes quentes e aos trovões que anunciam o inverno amazônico, chega a Abel Figueiredo, em abril de 1973, uma menina de 13 anos vinda das roças do Espírito Santo.
Seu nome: Osnera, embora o mundo a conhecesse por Nira Pinto — a professora de sorriso largo e coração nostálgico, que guarda no peito as lembranças do tempo em que o "pau-de-arara" era o veículo dos sonhos e o futuro parecia nascer na poeira das estradas.

Abel foi para Nira o início de tudo. Ali aprendeu o bê-a-bá, ouviu pela primeira vez o rugido dos macacos capelães no entardecer, descobriu o calor intenso da Amazônia e o brilho de um novo modo de viver. No grupo de jovens da Igreja Católica, encontrou amizades que duram até hoje e, entre cantos e risadas, conheceu também o amor que marcaria sua juventude: Tony Reis, o galã de violão e alma musical que encantava as moças com seu jeito boêmio e carismático.

Foi também ali, nas ruas de Abel, que Nira viveu suas primeiras festas juninas, seus banhos de rio, os desfiles de 7 de setembro e a emoção de ser coroada princesa.
Na escola, aprendeu a queimada e a amarelinha; na vida, aprendeu o valor da amizade, da partilha e da esperança.
Mais tarde, já em Jacundá e depois em Parauapebas, Nira tornou-se professora, pesquisadora, doutora em História — mas nunca deixou de ser aquela menina encantada com os sons e as cores da Amazônia.

Hoje, ao revisitar o passado, a professora Nira Pinto nos oferece um retrato vivo da Abel Figueiredo que marcou gerações — um lugar onde o tempo corria devagar e os sonhos tinham o tamanho do céu.
Sua história, como tantas outras, reafirma o quanto a memória é o território mais fértil da alma — onde cada lembrança floresce como um ipê em julho, e cada reencontro é uma festa sob o sol do Pará.

Revista TOARA – Edição Especial "Anos Dourados de Abel Figueiredo"
Texto e montagem: Robson Messias Lucas Santos
Abel Figueiredo – Pará | Outubro de 2025


🕊️ Nota Oficial

Revista TOARA prestará homenagens no Encontro dos Anos Doutorado 2026


Comendas de Honra "Anos Dourados 2026" – Abel Figueiredo (PA)

A Revista TOARA, em sua missão de preservar a memória, a arte e a identidade amazônica, tem a honra de anunciar a entrega de quatro Comendas de Reconhecimento Histórico e Cultural durante o Encontro dos Anos Dourados 2026, que será realizado em 24 de janeiro, na cidade de Abel Figueiredo – Pará.

As comendas representam o elo entre o passado e o presente, valorizando pessoas que deixaram marcas profundas na construção social, cultural e humana do município. São elas:

🏅 Odilon Cardoso – Comenda Fundação e Memória Histórica, Em reconhecimento ao pioneirismo e legado de um dos fundadores de Abel Figueiredo, símbolo de determinação e amor pela terra. 
🏅 Professor Melquíades Justiniano – Comenda Educação e Civismo, em reconhecimento à sua dedicação e ao fortalecimento da cultura local
 à educação, e aos valores cívicos, sendo referência na formação de gerações através da Escola Hélio Frota Lima. 
🏅 Dativo Araújo (in memoriam) – Comenda Gestão e Cidadania, primeiro prefeito do município, lembrado por seu compromisso com o desenvolvimento
 cuja trajetória representa o compromisso com o desenvolvimento e a organização social de Abel Figueiredo. 

🏅 Gilson Alexandrino – Comenda Solidariedade e Serviço ao Povo, homenagem ao farmacêutico e vereador que marcou a vida de muitos abel-figueiredenses com generosidade e afeto, exemplo de amizade, cuidado e serviço comunitário.

A Revista TOARA, comprometida com a valorização do conhecimento, da arte e da cultura amazônica, realizará em 2026 uma cerimônia especial de homenagens durante o Encontro dos Anos Doutorado. O evento reconhecerá personalidades que se destacaram pela dedicação, a Comendas dos Anos Dourados, que reconhecem figuras históricas e simbólicas do município de Abel Figueiredo – Pará, cujas trajetórias contribuíram para a formação social, cultural e humana da cidade..

As homenagens são parte integrante do Encontro dos Anos Dourados 2026, evento que celebra a memória afetiva e o reencontro de gerações que ajudaram a construir o município.

A homenagem pretende enaltecer não apenas as conquistas, mas também os gestos de humanidade, de partilha e de compromisso com o bem comum que marcam a atuação de cada homenageado.

Assim, a Revista TOARA reafirma seu papel como veículo de integração e celebração da intelectualidade amazônica, valorizando as histórias que inspiram o futuro e constroem pontes entre a arte, a ciência e a vida.

A iniciativa tem caráter popular e cultural, nascida do convívio e da união entre antigos moradores e amigos da cidade, reconhecendo o valor histórico dessas memórias como patrimônio coletivo.

Essas homenagens refletem o sentimento coletivo de gratidão e pertencimento, fortalecendo a identidade de uma comunidade que aprendeu a transformar lembranças em legado.

O momento será registrado e publicado na edição especial da Revista TOARA – "Uma Volta ao Passado: Anos Dourados", simbolizando que lembrar é também continuar vivendo a história.

📜 Revista TOARA – Arte, Memória e Amazônia
Texto e Coordenação: Robson Messias

"Edson Doideira: O Mestre das Travessuras e das Gargalhadas de Abel Figueiredo"

"Entre festas invadidas, galinhas leiloadas e risadas sem fim, Edson Doideira revive histórias que marcaram a juventude de Abel Figueiredo nos anos 80."

Revista TOARA pergunta:
01 – Edison, você ficou conhecido como uma figura irreverente, sempre cheio de disfarces e surpresas. Qual dessas aventuras você considera a mais marcante, aquela que até hoje faz todo mundo rir só de lembrar?

Edson Doideira responde:
Rapaz, teve uma que foi pra cair na rede e nunca mais sair! Entrei no bar do Zé vestido de soldado da marinha, todo de branco o Zé do bar era o Porteiro, cheguei fiz continência e ainda coloquei um batalhão de gente sem pagar, parecia até excursão. Quando deu meia-noite, o Bercino da padaria irmão do Zé do Bar perguntou como Doideira tinha entrado, foi quando o Zé me pegou pulando dentro da festa, igual peixe na beira do rio Papagaio. Resultado: botou todo mundo pra fora, até eu que tinha puxado a fila! A festa virou foi farofa do lado de fora. Até hoje, quando lembro, escuto as gargalhadas ecoando, igual boto rindo nas águas do Araguaia.

Revista TOARA pergunta:
02 – Seu fiel escudeiro, Júlio Bahia, esteve em muitas dessas histórias. Como era essa parceria e cumplicidade entre vocês dois?

Edson Doideira responde:
Ah, o Julinho era meu parceiro de piracema! A gente não pagava entrada de festa nem com reza braba. Pulava muro, cerca, fazia carreiro no mato… uma vez na Sayonara ele despencou lá de cima e caiu dentro do banheiro. Pense num estrondo! Foi só confusão e nós tentando tirar ele de dentro da foça. A festa acabou, mas a resenha foi garantida. Com Julinho era assim: se não dava pra dançar, pelo menos a gente caía no chão de tanto rir.

Revista TOARA pergunta:
03 – Nas festas, você sempre dava um jeito de entrar, mesmo sem ser convidado ou passando despercebido pela portaria. Qual foi a festa mais inesquecível que conseguiu "invadir" e por quê?

Edson Doideira responde:
Olha, pra mim festa era igual igarapé na cheia: se tem caminho, eu entro nadando! A mais inesquecível foi essa do Sayonara. Nem precisava convite, porque a bagunça a gente levava no bolso. Só que aí, quando o Julinho Bahia caiu do céu, parecia até estrela cadente despencando, ele não viu a foça do banheiro, ai ja sabe acabou-se a farra. Mas olha… foi mais divertido que muito baile caro por aí.

Bar do Zé anos 80

Revista TOARA pergunta:
04 – As histórias da macumba do Seu Raimundo Macumbeiro e do velho Doné, com os leilões de galinha, se tornaram lendárias. Como você lembra desses momentos e da forma como a comunidade se divertia com isso?

Edson Doideira responde:
Rapaz, essa foi antológica! Eu era o leiloeiro oficial da macumba do Seu Raimundo. Gritava: "um cruzeiro, dois, três… tá entregue!". Mas a fome era tanta que eu entregava a galinha assada antes mesmo de alguém pagar direito. (risos) O povo caía na gargalhada, e o velho Raimundo vinha atrás da gente com um pedaço de pau, igual boto bravo correndo atrás de canoeiro. Era confusão, era alegria, era cultura viva do nosso jeito amazônico de ser.

Zé Carlos da Getat, Julim e João

Revista TOARA pergunta:
05 – Ao olhar para trás e ver quantas rodas de amigos se formaram para ouvir suas aventuras, o que sente ao perceber que você ajudou a deixar a juventude de Abel Figueiredo mais leve, divertida e cheia de boas lembranças?

Edson Doideira responde:
Meu coração fica igual tambor de festa de santo: batendo forte de alegria! Onde eu chegava, juntava logo uns 20 em volta só pra ouvir minhas palhaçadas. Era risada garantida, amizade que nem o tempo apaga. Hoje, quando a gente se encontra, é só lembrar os apelidos e as histórias que tudo renasce, igual rio depois da chuva. E digo logo: em janeiro tô chegando, quero abraçar cada amigo e fazer mais uma roda de alegria, do jeito que só Abel Figueiredo sabe fazer!

Abel anos 70 e 80

✨ Pincelada final – por Robson Messias, editor da Revista TOARA
Às vezes, a tecnologia nos surpreende ao resgatar o que há de mais humano: a memória, a amizade e o pertencimento. Foi assim que, em meio a conversas simples e lembranças compartilhadas em um grupo de WhatsApp, surgiu uma chama que reacendeu os anos dourados de Abel Figueiredo. Como comunicador e editor-chefe da Revista TOARA, abracei imediatamente essa causa, reconhecendo nela um momento histórico. Este encontro é mais do que um evento: é um marco de identidade, de memória coletiva e de resistência cultural. É a prova de que a tecnologia, quando bem usada, pode aproximar gerações e fortalecer os laços que o tempo jamais conseguiu apagar.

E o grande encontro já tem destino certo: em 2026, Abel Figueiredo (Pará) será palco desse reencontro histórico, onde memória, amizade e cultura se unem numa celebração sem igual.

Com esse mergulho irreverente nas memórias de Edson Doideira, não apenas rimos das suas peripécias, mas também reconhecemos o quanto suas histórias ajudaram a colorir a juventude de uma geração inteira. Entre lembranças, apelidos e gargalhadas, revivemos a magia de uma época em que a simplicidade e a amizade eram o palco principal.

Cobertura: Robson Messias – Revista TOARA




 O Encontro que Nasceu de um Grupo de WhatsApp

Às vezes, a tecnologia nos surpreende ao resgatar o que há de mais humano: a memória, a amizade e o pertencimento. Foi assim que, em meio a conversas simples e lembranças compartilhadas em um grupo de WhatsApp, surgiu uma chama que reacendeu os anos dourados de Abel Figueiredo.
O aplicativo, muitas vezes visto apenas como espaço de mensagens rápidas e corriqueiras, se transformou em um verdadeiro arquivo vivo de afetos, reunindo pessoas que há décadas não se viam. Ali, entre fotos antigas, histórias contadas e risos reencontrados, nasceu a ideia que hoje toma corpo: o Grande Reencontro dos antigos moradores de Abel Figueiredo.
O que parecia apenas uma reunião virtual de amigos foi tomando dimensão surpreendente. De um simples grupo, expandiu-se para um movimento que atravessou distâncias e aproximou corações espalhados por diferentes partes do Brasil.
Como comunicador e editor-chefe da Revista TOARA, eu, Robson Messias, abracei imediatamente essa causa, reconhecendo nela um momento histórico. Este encontro é mais do que um evento: é um marco de identidade, de memória coletiva e de resistência cultural. É a prova de que a tecnologia, quando bem usada, pode aproximar gerações e fortalecer os laços que o tempo jamais conseguiu apagar.
O que veremos em Abel Figueiredo não será apenas um reencontro: será a celebração de vidas que se entrelaçam, de histórias que resistem e de uma comunidade que continua viva na lembrança e no coração de cada um de nós.
Alacid Nunes grupo

Entrevista com João Fredson Batista

Por Robson Messias – Revista TOARA 17/09/2025

O reencontro dos antigos moradores de Abel Figueiredo tem se tornado um movimento emocionante e carregado de memórias afetivas. Conversamos com João Fredson Batista, um dos idealizadores do grupo que hoje reúne amigos e famílias que viveram os anos 1970 e 1980 na cidade. Ele compartilhou suas lembranças, motivações e expectativas para o futuro.
Fredson

1. Fredson, como surgiu em você o desejo de participar ativamente dessa ideia e ajudar a construir o grupo?

Fredson - A ideia surgiu de um grupo chamado Abel das Antigas, no qual eu participava ativamente. Porém, com o tempo, as discussões sobre política começaram a dominar e o ambiente se tornou chato e pesado. Então pensei: "vou criar um novo grupo, mas sem assuntos políticos". O objetivo seria reunir apenas os antigos moradores de Abel Figueiredo para lembrarmos juntos dos anos dourados das décadas de 1970 e 1980.

2. Qual foi a primeira lembrança ou memória que veio à sua mente quando pensou em reunir novamente os antigos moradores de Abel Figueiredo?

Fredson - A primeira lembrança foi do grupo escolar, especialmente da Escola Alcides Nunes, das primeiras professoras e dos novos amigos. Foi aí que pensei em criar um grupo para interagirmos e recordarmos aqueles anos dourados vividos em Abel Figueiredo, nas décadas de 70 e 80.

3. Muitas pessoas já não estão mais entre nós. Para você, qual é a importância de manter viva essa memória coletiva e transmiti-la para as novas gerações?

Fredson - É muito importante manter essa memória viva e transmitir as histórias das pessoas que fizeram parte do início da cidade. Lembro do meu pai, por exemplo, que já não está mais entre nós. Quando ele chegou a Abel Figueiredo, havia apenas quatro ou cinco moradores, entre eles o senhor Odilom Cardoso, o senhor Gilson Alexandrino e meu pai, João Lino, que todos conheciam como João Piranha. Preservar essas histórias é uma forma de honrar a memória de quem construiu nossa comunidade.

4. O que mais te surpreendeu na adesão das pessoas ao grupo e na forma como todos têm interagido?

Fredson - O que mais me surpreendeu foi a adesão das pessoas e a forma calorosa de interação. Há membros que estavam há mais de 40 anos sem contato, e agora estamos juntos novamente, relembrando os anos dourados que marcaram nossas vidas. É maravilhoso reviver esse tempo inesquecível. Para mim, é extremamente gratificante.

5. Como você sonha que será esse grande reencontro presencial e o que espera que ele represente para a história de Abel Figueiredo?

Fredson - Espero que esse reencontro seja tão dourado quanto os anos de 1970 e 1980, que marcaram nossas vidas. Quero que possamos matar a saudade dos amigos, reviver memórias e celebrar juntos esse tempo tão especial da nossa história.

A entrevista com João Fredson Batista revela não apenas a força da memória coletiva, mas também o poder dos reencontros em manter viva a identidade de uma comunidade. O "Grande Reencontro" promete ser um marco na história de Abel Figueiredo, onde o passado se encontra com o presente para fortalecer os laços que nunca se perderam.

Entrevista Especial – Carlos e o poder da memória coletiva

Por Robson Messias – Revista TOARA

A história do grande reencontro de Abel Figueiredo não seria a mesma sem a iniciativa de duas pessoas que decidiram transformar lembranças em movimento: Carlos e Fredson. Unidos pela vontade de resgatar os laços de amizade dos anos 70 e 80, eles deram o primeiro passo na criação do grupo de WhatsApp que hoje mobiliza dezenas de antigos moradores. Nesta entrevista, Carlos compartilha suas motivações e emoções diante desse momento histórico.

Frente do bar do Zé

1 – Carlos, o que motivou você a criar esse grupo no WhatsApp e resgatar tantas memórias da nossa infância e juventude em Abel Figueiredo?
Carlos: Eu e o Fredson estávamos em outro grupo com o mesmo tema e a mesma finalidade de bater um bom papo e resgatar velhos amigos. Só que, com o tempo, começaram as discussões políticas, e isso acabou tirando a leveza do espaço. Então decidimos sair e criar um novo grupo, mas com uma regra muito clara: proibido falar de política. A ideia era simples e linda — um lugar só para nos reencontrarmos e celebrarmos os anos dourados.

2 – Quando você pensou nessa ideia, imaginava que teria uma repercussão tão positiva e emocionante entre os antigos moradores?
Carlos: No primeiro dia confesso que fiquei até com medo (risos). Afinal, ficaram dois grupos com a mesma finalidade. Mas quando vimos a adesão e a energia positiva, tudo mudou. No segundo dia já estava difícil acompanhar tantos áudios, tantos reencontros e lembranças. Foi surpreendente perceber a força que essa iniciativa teria.

3 – Na sua visão, qual foi o papel da tecnologia (WhatsApp) em possibilitar esse reencontro, já que antes muitos estavam distantes e até sem contato?
Carlos: O WhatsApp foi essencial. Ele conseguiu reunir em um só espaço amigos que estavam há décadas sem contato. Pessoas que viviam em diferentes cidades e estados voltaram a se falar, a compartilhar lembranças e a sentir que ainda fazemos parte de uma mesma história. Foi a ponte que tornou esse reencontro possível.

Jackeson Mendonça

4 – O que mais tem te emocionado nas lembranças e relatos que surgiram dentro do grupo até agora?
Carlos: Um dos momentos que mais me marcou foi o bate-papo com a Solange Pinto, quando ela relatou as histórias do senhor Jackeson Mendonça, que morou em Abel Figueiredo e foi um homem de tantas histórias e legados. Ele, que por sinal era sogro dela, trouxe de volta memórias que estavam guardadas e que mereciam ser revividas. Foi emocionante.

5 – Qual é a sua expectativa para o futuro desse grupo e para o reencontro presencial dos amigos dos anos 70 e 80?
Carlos: O que eu mais espero é que a gente continue sempre em contato, que essa chama não se apague. Que possamos realizar esse grande reencontro e, mais do que isso, manter vivo o espírito de amizade e união que nos motivou a criar o grupo. Esse reencontro será mais que um evento: será um marco na nossa história coletiva.

Carlos




Belém, Capital da FEBTUR: Entre Tambores, Sabores e Rios de Encanto

O II Congresso Nacional de Jornalistas e Comunicadores de Turismo – FEBTUR segue pulsando no coração da Amazônia. Ainda ecoam os sons da abertura, as falas potentes de lideranças do turismo e da comunicação, a espiritualidade viva de Márcia Kambeba e o encontro das ancestralidades com o presente. Mas agora, o Congresso se espalha pelas ruas, feiras e sabores de Belém do Pará, capital simbólica do turismo amazônico.

Em meio às programações intensas, os participantes da FEBTUR começaram as visitações aos atrativos turísticos da cidade, numa verdadeira imersão de sentidos. Belém abriu seus caminhos como quem abre os braços — generosa, mística e vibrante.

Na Casa das 11 Janelas, a arte dividiu espaço com a culinária de encantamento. O chef Saulo Jennings, figura respeitada da gastronomia paraense, ofereceu uma experiência única: pratos que misturam floresta, rio e memória. Tucupi fumegante, jambu arrepiando a boca e sabores que pareciam conversar com os tambores do carimbó — uma verdadeira cerimônia de acolhimento para os sentidos.

A caminhada seguiu para o Ver-o-Peso, onde o tempo parece dobrar e as culturas se entrelaçam como redes de pesca. Ali, os comunicadores encontraram o que nenhum congresso em sala fechada oferece: o Brasil profundo e popular. O cheiro do tucupi fresco, as garrafadas mágicas, o artesanato indígena, as rezadeiras, os pescadores, as vendedoras de peixe, o dourado com açaí servido com sorriso e fé. E, claro, a cachaça de jambu, que estala na língua como um trovão amazônico e arranca risos de surpresa.

Belém, nesse momento, se transforma não apenas em sede, mas em salão de vivência. As ruas contam histórias, os pratos falam da terra, os mercados são como bibliotecas de saberes ancestrais. E a FEBTUR, nesse mergulho amazônico, reafirma o seu papel: comunicar com responsabilidade, vivência e pertencimento.

O Congresso ainda segue. E Belém segue oferecendo suas bênçãos de rio e povo. A cada esquina, uma descoberta. A cada visita, uma nova página da Amazônia sendo escrita com os pés, o paladar e a escuta.

Texto: Marlene Borges Diretora de Arte, Revisão e produção.
Foto: Robson Messias - Editor-chefe da revista


Belém, Capital da FEBTUR: Noite de Chegada, Mistérios e Encantos

Já em solo da capital amazônica, nesses cinco dias onde a comunicação e o turismo dançam juntos sob os tambores da floresta, o clima é de encantamento e intensidade. A noite de chegada em Belém não foi apenas um pouso — foi uma travessia entre mundos.
Lá de cima, ainda no balanço do avião, a luz tocando a asa cortava o céu como lâmina de fogo, refletindo um vermelho profundo, quase um presságio. A cidade despontava iluminada — não havia sono, Belém pulsava viva, como um tambor de carimbó chamando os viajantes da palavra.
Entre o cheiro do açaí recém-preparado, o murmúrio dos igarapés e o farfalhar das árvores antigas, tudo já anunciava: a capital das mangueiras não dorme quando a Amazônia é o palco e os comunicadores são os protagonistas.

As primeiras horas na cidade foram de alinhamentos silenciosos e encontros inesperados, como se a floresta soprasse nos ouvidos a direção a seguir. Há algo mágico acontecendo por aqui — um chamado profundo que mistura jornalismo, turismo e identidade como se fosse um velho canto entoado ao redor da fogueira.
Revista TOARA está presente — na batida do remo e da palavra, acompanhando cada passo desse congresso que já se desenha como histórico e ancestral.

Já decolando para a capital da FEBTUR!

Com o coração batendo no compasso do tambor amazônico, o comunicador Robson Messias e a Doutorando Marlene Borges já segue rumo à Belém do Pará, a gloriosa Capital das Mangueiras, para vivenciar cinco dias de intensidade, encontros e sabedoria amazônica.
O II Congresso Nacional da FEBTUR é mais que um evento — é um terreiro de ideias, um ajuntamento de vozes que reverberam o turismo com identidade, raiz e verdade. E nesses dias que vêm, o calor não será só do sol paraense, mas da energia pulsante que nasce quando comunicadores de todas as partes se encontram pra trocar histórias, forjar alianças e construir pontes de pertencimento.


Preparem os sentidos! Porque Belém vai ferver em cultura, gastronomia, cheiro de patchouli e som de carimbó, ciriá e brega rasgado! E a gente vai no embalo, com nossa palavra viva, nossa câmera firme e o coração vibrando por estar na linha de frente da comunicação amazônida.

TOARA chega com tudo!

Robson Messias e Marlene Borges  


5ª COPA MEBÊNGÔKRE NIRE: FUTEBOL INDÍGENA, MOVIMENTO TURÍSTICO E CELEBRAÇÃO DA CULTURA ÀS VÉSPERAS DA COP 30

Por Robson Messias Lucas Santos
Em julho de 2025, a @aldeia_oodja, território do povo Xikrin, no Pará, será o centro de um dos maiores eventos indígenas do Brasil: a 5ª edição da Copa Mebêngôkre Nire de Futebol Society, a já consagrada Copa Menire.
Mais do que uma competição esportiva, a Copa se firma como um movimento turístico-cultural indígena, reunindo povos, visitantes, comunicadores e parceiros em torno da valorização do esporte, da cultura tradicional e do turismo sustentável — tudo isso em um momento estratégico: às vésperas da FEBTUR Nacional, que acontece em Belém, e da COP 30, que fará da Amazônia o foco mundial das discussões climáticas.

A Copa Menire se tornou um atrativo turístico espontâneo e potente. Visitantes do Brasil e de outros países têm sido convidados a vivenciar essa experiência autêntica, que une futebol, ancestralidade e hospitalidade. "Aqui a gente mostra como o nosso modo de viver é bonito, forte e sustentável. O turismo indígena é nosso jeito de ensinar o mundo a respeitar a floresta e os povos que cuidam dela", afirma Bedjoro Xikrin, coordenador do evento. 

Turismo é resistência: a força da cultura viva
Durante os dias da Copa, a aldeia se transforma: há jogos emocionantes, apresentações culturais, danças, gastronomia tradicional, artesanato e rodas de conversa sobre meio ambiente, juventude e território. O evento é preparado com autonomia pelos próprios Xikrin, que organizam tudo — da logística à arbitragem — com sabedoria ancestral.
Apoio e parcerias com responsabilidade
A edição de 2025 conta com o apoio da Vale, que colabora com transporte, estrutura e premiações. Bedjoro destaca que esse apoio só é bem-vindo quando respeita o protagonismo indígena: "A Copa é nossa. Toda parceria deve entender isso: nós somos quem decide, quem planeja, quem realiza."
Futebol como elo entre gerações e como ponte para o mundo
A juventude Xikrin encontra no futebol um espaço de expressão, pertencimento e orgulho. Para muitos, é também uma oportunidade de mostrar ao mundo sua força e criatividade. A Copa Menire tem se tornado símbolo de uma Amazônia viva, que educa, acolhe e transforma — não apenas através da luta, mas também da beleza.
Convite aberto ao Brasil e ao mundo
Às vésperas do II Congresso Nacional da FEBTUR e da COP 30, a Copa Mebêngôkre Nire 2025 surge como uma prévia do que a Amazônia tem de mais verdadeiro a oferecer ao turismo mundial: seus povos originários, seus modos de vida sustentáveis e sua cultura viva.
Quem quiser conhecer uma Amazônia que pulsa identidade e sabedoria ancestral, não pode perder. Em julho, todos os caminhos levam à Aldeia Oodjá — onde o futebol é jogado com o coração da floresta.

🪶 5ª COPA MEBÊNGÔKRE NIRE 2025
🏆 A MAIOR COMPETIÇÃO INDÍGENA DO PARÁ

📍 Local: Aldeia Oodjá – Povo Xikrin
📅 Data: Julho de 2025
🌿 Um movimento de esporte, cultura e turismo sustentável na Amazônia!

⚽ O FUTEBOL COMO EXPRESSÃO DA CULTURA INDÍGENA

Mais que uma competição, a Copa Mebêngôkre Nire, conhecida como Copa Menire, é um grande encontro entre os povos Mebêngôkre, reunindo dezenas de equipes formadas por jovens Xikrin e convidados de outras etnias.

📣 "Para nós, o futebol é força, união e orgulho. É nossa forma de celebrar e fortalecer a juventude e nossas tradições."
— Bedjoro Xikrin, coordenador da Copa

✨ EXPERIÊNCIA TURÍSTICA AUTÊNTICA

Durante o evento, a Aldeia Oodjá se transforma em um centro de vivências culturais e turísticas:

🎶 Danças e cantos tradicionais
🪵 Artesanato e pintura corporal
🍲 Gastronomia indígena
🗣️ Roda de saberes e conversas sobre território e meio ambiente
🌍 Encontro entre culturas e visitantes de várias regiões

🤝 ORGANIZAÇÃO INDÍGENA COM APOIO CONSCIENTE

A Copa é organizada de forma autônoma pelo povo Xikrin, com o apoio da Vale, que colabora com logística, estrutura e premiações, respeitando o protagonismo da comunidade.

🌱 AMAZÔNIA EM FOCO — ROTA DO TURISMO SUSTENTÁVEL

O evento acontece às vésperas da FEBTUR Nacional (Belém – junho/2025) e da COP 30, colocando a Copa Menire como exemplo vivo de turismo indígena sustentável e de fortalecimento das culturas originárias.

🛶 CONHEÇA. VIVA. RESPEITE.

Você está convidado a viver essa experiência única.
📍 Em julho, todos os caminhos levam à Aldeia Oodjá!

📸 Siga e acompanhe pelo perfil oficial:
Instagram: @copa_menire

📍 Realização: Povos Indígenas Xikrin
🤝 Apoio: Vale
🪶 Coordenação: Bedjoro Xikrin


Cinema pela Amazônia na 5ª Copa Mebêngôkre Nire: Audiovisual, Futebol Indígena e Cultura Viva

O projeto Cinema pela Amazônia, sob a coordenação do cineasta Robson Messias, estará presente na 5ª Copa Mebêngôkre Nire, acompanhando de perto este grandioso evento que une futebol indígena, movimento turístico e celebração cultural.
Durante o evento, serão realizadas oficinas práticas e um laboratório de audiovisual com foco na formação de jovens comunicadores indígenas, promovendo o protagonismo das comunidades na construção de suas próprias narrativas.
A iniciativa busca valorizar a identidade dos povos originários, registrar suas vivências e fortalecer o intercâmbio entre cultura, esporte e turismo de base comunitária. A presença do Cinema pela Amazônia nesta edição reforça o compromisso com a defesa do território, da memória e da expressão audiovisual como ferramenta de luta e preservação.



A Embarcação da Bienal das Amazônias: Um Barco Entre Mundos

Envolto por mistério e beleza, um barco nada comum desliza pelas águas turvas da Amazônia, despertando curiosidade por onde passa. Trata-se da embarcação da Bienal das Amazônias – Sobre as Águas, que acaba de aportar em Marabá, no sudeste do Pará, após zarpar de Belém, a cidade das mangueiras. Mas este não é apenas um barco: é uma obra em si, um palco flutuante, um templo de encontros e experimentações artísticas.

Projetada pelo renomado artista boliviano Freddy Mamani, conhecido por suas construções vibrantes que dialogam com a cultura andina, a embarcação tem capacidade para 200 pessoas e foi completamente adaptada para garantir acessibilidade a todos os públicos. É uma arquitetura navegante que conjuga estética, inclusão e diálogo intercultural — navegando como um manifesto vivo pelas águas da Amazônia.

Durante seis dias, o projeto itinerante da Bienal transformará o rio em galeria, em sala de aula, em território de escuta e criação. A bordo, artistas, curadores, pesquisadores e moradores das margens se conectam numa travessia entre saberes. O barco não navega apenas pelas águas — ele cruza linguagens, histórias, memórias.

A revista TOARA, dedicada à cultura, arte e turismo amazônico, esteve pessoalmente a bordo para acompanhar esse momento histórico. Representando a publicação, estiveram presentes o diretor-chefe Robson Messias e a diretora de produção Marlene Borges, que registraram imagens, histórias e depoimentos ao longo do trajeto.

Para Robson Messias, "esse barco pode contribuir, não só com sua beleza exuberante, mas também mostrar que a preservação e a resistência dos povos tradicionais sejam respeitadas ao longo dos rios por onde ele passa". A fala do diretor ecoa o espírito da Bienal: arte como ferramenta de escuta, valorização e transformação.

Com o projeto Sobre as Águas, a Bienal das Amazônias reafirma seu compromisso com a descentralização da arte, promovendo encontros fora dos grandes centros urbanos e navegando pelas veias líquidas da região. Em Marabá, o barco atrai olhares e corações — um convite vivo para mergulhar na pluralidade amazônica, entre o som das águas e o sussurro das artes.

A presença da revista TOARA nessa cobertura fluvial já antecipa outro importante momento para o turismo amazônico: o Encontro Nacional da FEBTUR, que acontecerá de 10 a 15 de junho em Belém, reunindo comunicadores, gestores, artistas e representantes de diversas regiões do Brasil. Na ocasião, a TOARA estará representando com orgulho a Região de Carajás, destacando seus potenciais turísticos, culturais e ambientais. Será uma oportunidade de mostrar, por meio de exposições, falas e experiências sensoriais, a força da Amazônia que pulsa entre rios, florestas e comunidades.

Como destaca Robson Messias, editor-chefe da revista TOARA, "vamos como comunicadores nativos, levando nosso conhecimento empírico sobre o território e nosso povo. Não falamos da Amazônia de fora pra dentro, mas de dentro pra fora, com a alma de quem vive, sente e protege essa terra." A presença no evento reforça o compromisso da TOARA com a valorização dos territórios amazônicos, conectando arte, turismo e memória de forma viva, engajada e profundamente enraizada.

Texto: Borges, M. C. e Lucas , R. M       -      Marabá 07/05/2025


Projeto Marabá na Tela 

# Escarabocho: O Mistério dos Alienígenas que Chega nas comunidades e às Escolas de Marabá  20 DE FEVEREIRO DE 2025

O projeto Marabá na Tela tem percorrido muitas comunidades e as escolas de Marabá, levando produções locais e promovendo a arte e a cultura amazônica. Dentre as produções exibidas, destaca-se o filme Escarabocho, dirigido por Suelen, que fala de um mistério envolvendo alienígenas.

O projeto Marabá na Tela é um exemplo de como a arte e a cultura podem ser utilizadas para promover a conscientização e a valorização da identidade local, e de como é possível levar a arte e a cultura para as escolas, permitindo que os estudantes sejam beneficiados por essas iniciativas. 

O projeto Marabá na Tela é uma iniciativa importante para promover a arte e a cultura local nas escolas, permitindo que os estudantes conheçam e valorizem a riqueza cultural da região. Com o filme Escarabocho, os estudantes de Marabá têm a oportunidade de explorar temas como a ciência, a tecnologia e a imaginação. 

O filme Escarabocho é uma obra de ficção científica que explora a ideia de vida extraterrestre e seu impacto na sociedade. Com uma mistura de suspense, aventura e fantasia, o filme cativa o público e o leva a refletir sobre a possibilidade de vida além da Terra, é uma ótima oportunidade para os estudantes de Marabá explorarem temas como a ciência e a tecnologia de uma forma divertida e interativa", disse a diretora Suelen.

O filme Escarabocho, dirigido pela cineasta Suelen, é uma obra que combina elementos de ecogotico, fantasia e crítica social para criar uma narrativa única e desafiadora. Ambientado na região de Marabá, o filme explora a relação entre os espíritos que vagam pela região e a ameaça que a COP-30 representa para a preservação da Amazônia.

Para Suelen, produzir um filme em Marabá foi um desafio, mas também uma oportunidade de explorar a geografia exótica e única da região. "A Amazônia é um lugar de emoção única, onde a natureza é protagonista", disse a cineasta.

O filme Escarabocho é uma crítica à COP-30 e à forma como as decisões políticas afetam a vida das comunidades locais. Ao mesmo tempo, é uma celebração da beleza e da diversidade da Amazônia.



Com sua pegada ecogotico, o filme Escarabocho é uma obra que desafia o espectador a refletir sobre a relação entre o homem e a natureza. É um convite para explorar a Amazônia de uma forma única e emocionante.


# Texto: Marlene Borges Diretora de Arte, Revisão e produção.

Foto: Robson Messias - Editor-chefe da revista

- Entrevista com a Suellen Cordoil diretora Cineasta



143° Sarau da Lua Cheia 

A noite do dia 18/02/2025 foi repleta de recitações emocionantes e belas músicas que enriqueceram os ouvidos dos presentes. Além de Lara Borges e Bertine de Carmelita, outros artistas marabaenses se apresentaram, compartilhando suas obras e talentos.

O cantor e compositor Javier encantou o público com suas canções regionais, que contam histórias e tradições da nossa terra. Sua música foi como um abraço quente, que nos fez sentir orgulhosos da nossa cultura.

E para tornar a noite ainda mais inesquecível, o violinista Jeffinho embalou e bailou suavemente pela sala, acompanhado do coro do público presente. Sua música foi como um sorriso, que iluminou a sala e nos fez sentir alegria e contentamento.

A Diretora da Revista Toara, Marlene Borges, também esteve presente, garantindo que o evento fosse um sucesso. Sua presença foi um testemunho do compromisso da Revista Toara em promover a arte e a cultura local.

A Galeria Vitória Barros é um verdadeiro oásis cultural, dedicado a promover e apoiar a cultura local. É fantástico saber que o espaço tem um papel importante em reconhecer e valorizar os talentos dos artistas e fazedores de cultura da região.

A coordenadora do espaço, que dá nome à galeria,  uma pessoa muito especial, com uma paixão genuína pela cultura e pelo apoio aos artistas locais. É emocionante pensar no impacto positivo que esse espaço deve ter na comunidade, proporcionando oportunidades para que os artistas sejam vistos, ouvidos e celebrados.

A Galeria Vitória Barros é, sem dúvida, um tesouro cultural que merece ser reconhecido e apoiado. Que continue a ser um espaço de inspiração e criatividade para todos os que o frequentam!

Essa matéria é um convite para que você também participe desse evento incrível na próxima edição!

Texto e Fotos: Robson Messias


LETRAMENTO ESCOLAR EM COMUNIDADES INDÍGENAS

Entrevista com os indígenas Xikrim, Nokore Xikrim e Takak kro xikrin jovens Xikrim que estão na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, é importante considerar a importância da educação intercultural e da representatividade indígena na universidade.

A importância da educação intercultural: Como os jovens Xikrim veem a educação intercultural como uma ferramenta para promover a compreensão e o respeito entre as diferentes culturas?

Qual é o maior desafio que você enfrenta como estudante indígena?

Reporter - R.A. - Quais os desafios enfrentados pelos estudantes indígenas

Nokore Xikrim -  Adaptação à cultura não indígena: "Um dos maiores desafios é se adaptar à cultura não indígena, que é muito diferente da nossa. Às vezes, é difícil entender as expectativas e os valores da universidade."

Takak kro xikrin - Linguagem e comunicação: "Outro desafio é a linguagem. A língua portuguesa não é a nossa língua materna, e às vezes é difícil expressar nossas ideias e pensamentos."

 Nokore Xikrim -Discriminação e preconceito: "Infelizmente, ainda enfrentamos discriminação e preconceito. Alguns professores e alunos não entendem nossa cultura e nossas tradições, e isso pode ser muito desafiador."

Promove a compreensão e o respeito:

 A educação intercultural ajuda a promover a compreensão e o respeito entre as diferentes culturas, reduzindo a discriminação e o preconceito, a educação intercultural valoriza a diversidade cultural, reconhecendo que cada cultura tem sua própria história, tradições e valores, a educação intercultural prepara os estudantes para um mundo globalizado, onde as culturas e as nações estão cada vez mais interconectadas,  onde ajuda a desenvolver habilidades de comunicação eficaz entre pessoas de diferentes culturas. A educação intercultural fomenta a cidadania global, incentivando os estudantes a se tornarem cidadãos ativos e responsáveis em um mundo globalizado e ajuda a preservar a cultura indígena, promovendo a valorização e o respeito pela diversidade cultural a reduzir a desigualdade, promovendo a inclusão e a equidade entre as diferentes culturas.

# Exemplos de práticas de educação intercultural

 Incorporar conteúdo cultural relevante às disciplinas curriculares, ajuda a desenvolver projetos de pesquisa que explorem a diversidade cultural, a organizar atividades de intercâmbio entre estudantes de diferentes culturas, realizar palestras e workshops sobre temas culturais relevantes, desenvolver materiais didáticos que reflitam a diversidade cultural.
# Desafios e limitações
 Falta de recursos financeiros e materiais para implementar práticas de educação intercultural, Resistência à mudança por parte de alguns professores e estudantes, dificuldade em abordar temas sensíveis, como a discriminação e o preconceito, nessecidade de formação para professores e educadores para implementar práticas de educação intercultural.

A educação intercultural é fundamental para promover a compreensão, o respeito e a valorização da diversidade cultural. É importante superar os desafios e limitações para implementar práticas de educação intercultural eficazes.

Os povos indígenas Xikrin utilizam oralidade e práticas de chamar as coisas pelos nomes, tipos, NGÔKÕN ( maracá ), animais, é kapran, kukôi, através das falas e não pelas escritas. Na nova geração as sociedades indígenas sabem os nomes das coisas em escritas ou pelas escritas como por exemplo, shopping Pátio Marabá , os povos olham e lê os nomes daquilo que está escrito, com os novos conhecimentos na educação escolar indigena valorizamos a cultura, tradição, cânticos e histórias em escritos. " Bilingue ".

Pronomes pessoais:

Mebêngôkre Português  

       Bá  -        Eu     

      Ngá -       Você  

     Guai bá - Nós 

    Wã -         ele ou ela

Amanhã eu vou para universidade!    tradução =  Kryràp dja ba universidade mã ten! ( piôk jarem djà )

Fotos e texto: Robson Messias


'

© 2025 Blog Toara,AMAZÔNIA EM MOVIMENTO  . Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Webnode Cookies
Crie seu site grátis! Este site foi criado com Webnode. Crie um grátis para você também! Comece agora